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Texto e imagens por Wolfgang Hock 2026

Sempre fotos simplesmente lindas de Belém. 

Então, onde está a cidade marcada pela pobreza e pela miséria de que Friedrich Merz falou ao retornar a Berlim da conferência climática COP30? 

Existem favelas em Belém? 

Assim como em todas as grandes cidades brasileiras, Belém possui diversos bairros carentes, conhecidos como "favelas". Uma característica típica de muitas dessas áreas em Belém é a presença de casas de madeira sobre palafitas, situadas diretamente sobre zonas sujeitas a inundações e nas margens dos rios. Essas comunidades sofrem muito com a falta de sistemas de esgoto, esgoto a céu aberto, abastecimento de água inadequado e coleta de lixo insuficiente. A Vila da Barca é uma favela de palafitas grande e bastante conhecida, localizada bem à beira da água. 

Jurunas/Estrada Nova é uma das maiores áreas contínuas de favelas da cidade — e também uma das mais populosas — situadas ao longo da baía.

A "Baixada do Guamá" é outro bairro imenso e densamente povoado, caracterizado por moradias em grande parte informais e precárias.

As chamadas "Baixadas" (áreas baixas, frequentemente pantanosas ou sujeitas à influência das marés) também moldam a paisagem urbana em Condor e Pedreira. 

Mas por que os brasileiros do Sul e do Sudeste falam muito mal de Belém? Afinal, existem centenas de bairros de baixa renda com características semelhantes nas encostas e periferias do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Belo Horizonte, e assim por diante. Basta sair do aeroporto da Zona Norte do Rio — o Galeão — para percorrer 20 quilômetros passando por vastas áreas de relevo acidentado, todas densamente ocupadas por favelas que se estendem até o topo dos morros (Penha, Olaria, etc.). 

O "Complexo do Alemão" é uma vasta favela no Rio de Janeiro que compreende 25 comunidades (com uma população de aproximadamente 80.000 habitantes). Seu nome deriva do proprietário original de uma fazenda situada na área que hoje constitui a favela — um polonês chamado Leonard Kaczmarkiewicz, que foi confundido com um alemão.

Forças policiais e militares ocuparam a favela em novembro de 2010, e a intenção é que ela permaneça sob ocupação permanente de unidades de segurança, a fim de romper o domínio do "Comando Vermelho". 

A Rocinha é a maior favela do Rio de Janeiro (e de todo o Brasil), com uma população estimada em cerca de 200.000 pessoas. Ela está localizada na Zona Sul da cidade — especificamente no bairro de São Conrado — situada entre bairros de classe alta e encostas íngremes.

Além disso, os morros atrás de bairros famosos como Copacabana, Ipanema, Leblon e Gávea são densamente ocupados por favelas que se estendem até o topo. Os moradores de Ipanema têm vista para o mar em uma direção, enquanto, na outra, veem diretamente os barracos das favelas. 

Toda a rede oficial de esgoto de Copacabana e de outros bairros da Zona Sul (como Ipanema e Leblon) canaliza as águas residuais para uma estação de bombeamento central. De lá, o esgoto é bombeado para o mar aberto por meio de uma tubulação gigantesca com mais de quatro quilômetros de extensão. 

O problema é que o esgoto praticamente não passa por tratamento antes de ser despejado. Geralmente, realiza-se apenas uma filtragem mecânica grosseira para reter pedaços maiores de plástico e objetos sólidos. Resíduos orgânicos e produtos químicos são lançados sem tratamento no mar, na esperança de que as correntes oceânicas e a salinidade da água decomponham e diluam as bactérias.

Imagine só: a famosa e internacionalmente reconhecida "Cidade Maravilhosa" — como ela mesma gosta de se autodenominar —, com suas praias célebres, o Corcovado e o Pão de Açúcar, ainda não trata seu esgoto utilizando métodos modernos e atualizados. A sujeira simplesmente escoa direto para o mar! 

 

Qual é a situação nos estados do sul: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul? 

Curitiba, a capital do estado do Paraná, orgulha-se de ser diferente das demais: sem pobreza, sem favelas, sem criminalidade, sem poluição do ar ou da água, com uma população de imigrantes europeus brancos de mentalidade diferenciada e sem o caos no trânsito. A cidade ostenta um excelente sistema de transporte público que conta com o chamado "Biarticulado" — um ônibus com duas articulações e três seções. Com capacidade para transportar até 270 passageiros, ele circula em faixas exclusivas (como parte de um sistema BRT). O objetivo era oferecer uma alternativa de bom custo-benefício em relação a um metrô subterrâneo de alto custo. Resta saber, no entanto: será que ele realmente cumpre esse papel? Ou será que, na verdade, agrava o caos no trânsito ao ocupar um espaço significativo na superfície — um recurso já escasso em meio ao tráfego notoriamente caótico da cidade? 

Durante décadas, a administração municipal apegou-se obstinadamente ao mito do "sistema de ônibus perfeito" para evitar prejudicar sua imagem global.

O que foi uma inovação de bom custo-benefício na década de 1970 cobra agora o seu preço. Com o sistema BRT operando no limite absoluto de sua capacidade, Curitiba necessita urgentemente de um sistema de transporte coletivo sobre trilhos — como metrô ou veículo leve sobre trilhos (VLT) —, mas encontra-se agora ainda menos capaz de arcar com os custos astronômicos envolvidos. 

O sistema de BRT e o plano de desenvolvimento urbano foram concebidos na década de 1970 para uma cidade de cerca de 700 mil habitantes. Hoje, no entanto, a região metropolitana de Curitiba conta com uma população superior a 3 milhões de pessoas. A infraestrutura principal passou por poucas alterações ou ampliações, o que significa que o sistema de ônibus já não consegue atender com eficiência ao enorme volume de passageiros.

Como a rede de ônibus está sobrecarregada, desconfortável nos horários de pico e envelhecida, muitos cidadãos voltaram a utilizar automóveis. Paradoxalmente, Curitiba apresenta hoje uma das maiores taxas de densidade de veículos per capita entre as principais cidades brasileiras. Isso resulta justamente no caos no trânsito e na poluição do ar que o sistema visava, originalmente, evitar. 

Durante décadas, o planejamento urbano concentrou-se nos eixos principais de prestígio e no centro da cidade. Os bairros periféricos em rápido crescimento e as cidades do entorno, na região metropolitana, foram negligenciados. Muitas vezes, essas áreas carecem de faixas exclusivas para ônibus, e surgiram assentamentos informais e não planejados (favelas!), agravando a desigualdade social. 

Críticos e análises recentes da sociologia urbana enfatizam que a imagem de "cidade-modelo" — que remonta à década de 1970 e à ditadura militar daquela época — foi uma campanha de marketing politicamente orquestrada. O objetivo era apresentar ao mundo um "Brasil diferente e moderno". Hoje, a realidade da pobreza (em Curitiba!), da escassez de recursos orçamentários e dos congestionamentos não pode mais ser ocultada por trás dessa fachada reluzente. 

Enquanto cidades ao redor do mundo construíam novos sistemas ferroviários (como bondes modernos ou metrôs) ou digitalizavam suas redes, Curitiba dependeu por muito tempo do sucesso passado de seu sistema de ônibus que opera exclusivamente em superfície. Somente nos últimos anos foram dados passos iniciais em direção à digitalização e à eletrificação da frota. 

Curitiba é um fracasso; perdeu a liderança como laboratório de inovação. Hoje, a cidade enfrenta os mesmos problemas urbanos de qualquer outra grande cidade brasileira. 

Mas voltando às favelas: 

É claro que existem áreas pobres distintas em Curitiba, com enormes favelas! 

Ao contrário de sua imagem de cidade “livre de favelas”, dados oficiais revelam déficits habitacionais significativos: segundo números do IBGE (Censo de 2022), mais de 280 mil pessoas vivem nas favelas e comunidades urbanas da cidade. Autoridades locais, como a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), registram atualmente cerca de 322 favelas (!) e assentamentos informais (ocupações irregulares) na capital, abrigando mais de 93 mil famílias. 

Ao contrário do Rio, no entanto, elas não são imediatamente visíveis, pois a topografia de Curitiba é diferente — especificamente, a cidade é totalmente plana, situada em um planalto inóspito de clima desagradável. Consequentemente, quase não existem favelas em encostas íngremes como as do Rio de Janeiro; em vez disso, elas geralmente consistem em áreas planas e densamente povoadas na periferia da cidade. 

Ao contrário do que ocorre em muitas grandes cidades brasileiras (como Salvador, Recife, Fortaleza e Rio de Janeiro), a riqueza e a pobreza em Curitiba apresentam uma nítida segregação geográfica. Enquanto o centro da cidade e os bairros adjacentes se caracterizam por uma infraestrutura relativamente moderna, parques e um sistema de ônibus expresso (BRT), as favelas concentram-se nas áreas periféricas. Isso torna possível ocultar efetivamente esses bairros carentes do visitante casual. Apenas aqueles que observam mais atentamente ficarão chocados com as vastas áreas de favelas em Curitiba. Consequentemente, uma propaganda habilidosa feita por certos políticos (Jaime Lerner, Greca, Taniguchi e outros) conseguiu cultivar o mito de uma metrópole livre de favelas — uma cidade-modelo ou um "idílio verde". 

Na minha opinião, tudo não passa de uma manipulação desonesta — infelizmente. O rótulo de "cidade-modelo" nunca correspondeu realmente à realidade e é cada vez mais visto por especialistas como um mito habilidosamente promovido. 

Se você viajar mais para o sul — para Florianópolis, por exemplo, a capital do estado de Santa Catarina —, verá, assim como no Rio de Janeiro, as favelas subindo as encostas logo atrás dos prédios altos. Uma cena familiar. 

Em Florianópolis, também, o esgoto é direcionado para estações de tratamento municipais, dependendo do bairro e do tipo de ligação; no entanto, ele passa por uma filtragem mínima e chega aos rios, às lagoas e ao mar praticamente sem tratamento. 

Como as galerias de águas pluviais desaguam diretamente no meio ambiente, bactérias fecais não tratadas acabam chegando a riachos, à famosa Lagoa da Conceição ou até mesmo a praias muito frequentadas para banho (!). Isso gera problemas frequentes de qualidade da água, especialmente durante a temporada turística de verão: o cheiro fica desagradável! Isso fede!

Então, onde estão os imigrantes de origem alemã que se estabeleceram aqui, principalmente no século XIX? E onde está a suposta "mentalidade diferente"? Não consegui encontrá-la. 

No entanto, aquilo que torna o Brasil especialmente bonito — aquele toque tropical — está totalmente ausente aqui. 

Lugares como Blumenau e Pomerode, por exemplo, exibem casas em estilo enxaimel, mas a estrutura de madeira é apenas colada às paredes externas para fins decorativos; para mim, isso se torna o símbolo de uma mentira — uma tentativa de parecer algo que não são. Querem ser alemães, mas a maioria não fala alemão, não sabem de onde vieram seus antepassados, confundem nomes poloneses com alemães e nada sabem sobre a Alemanha atual, além de clichês batidos a respeito da Alemanha nazista. Pior ainda: não têm qualquer desejo de encarar a realidade e, muitas vezes, declaram-se abertamente simpatizantes do nazismo — algo que, para nós na Alemanha, soa muito estranho. Uma população sem identidade!

 

Mas agora, de volta a Belém, no norte do Brasil: 

O Bosque Rodrigues Alves (Jardim Zoobotânico da Amazônia)

localizada em Belém, esta é uma bela e histórica floresta urbana que ocupa uma área de aproximadamente 15 hectares. Considerada um oásis verde no coração da metrópole, preserva uma parte da floresta amazônica original, contando com mais de 10.000 árvores tropicais de grande porte, caminhos sombreados e românticos, lagos e uma fauna que vive livre ou sob proteção. 

 

A Casa das Onze Janelas

é um edifício histórico do século XVIII situado na Cidade Velha. Tendo servido anteriormente como residência aristocrática, hospital militar e parte das fortificações, hoje é um centro cultural popular que abriga um museu de arte moderna e um restaurante com vista para a Baía do Guajará. 

 

 

A Estação das Docas

é um complexo cultural e de lazer vibrante, com 800 metros de extensão, situado às margens da Baía do Guajará. Inaugurado no ano 2000, o local transforma três armazéns históricos da era da borracha em um moderno polo de gastronomia, arte e lazer. No ano passado, o complexo foi ampliado para incluir, entre outras coisas, um novo museu de arte. 

A Sorveteria Cairu, localizada nas Docas, é uma sorveteria de fama mundial. Conhecida por seus mais de 60 sabores feitos com frutas amazônicas exóticas, já recebeu diversos prêmios como um dos melhores lugares para tomar sorvete.

Sabores favoritos: Cupuaçu, Açaí, Tapioca, Carimbó (creme de cupuaçu com castanha-do-pará), Taperebá, Bacuri, entre outros. 

 

Mural com peixe-boi

 

 

Círio de Nazaré

O Círio de Nazaré é uma das maiores festas religiosas católicas do mundo (!). Ele acontece todos os anos, no segundo domingo de outubro, em Belém. Cerca de dois milhões de pessoas acompanham uma imagem da Virgem Maria em uma procissão que vai da catedral até a Praça Santuário. 

 

 

 

 

 

 

Belém ostenta o apelido de "Cidade das Mangueiras" porque dezenas de milhares de mangueiras de grande porte moldam a paisagem urbana. Elas foram plantadas pelos governantes coloniais no século XVIII — e, sobretudo, durante o ciclo da borracha, no final do século XIX — para proporcionar sombra contra o calor tropical. 

 

O Parque da Residência

é um belo parque cultural e antiga residência do governador, situado na Avenida Governador Magalhães Barata. O local combina vegetação exuberante com atrações culturais, restaurantes e exposições históricas, como um antigo Cadillac.

Outro shopping: Shopping Bosque Grão-Pará 

 

O Mercado de São Brás

é um complexo de lazer construído em estilo veneziano, que conta com diversos restaurantes, mercados e lojas — um ponto de encontro para jovens e pessoas de todas as idades. 

 

 

 

 

 

 

 

Basílica Nossa Senhora de Nazaré

A Basílica de Nossa Senhora de Nazaré é uma igreja pertencente à Arquidiocese de Belém do Pará e dedicada à Virgem Maria. A construção deste sofisticado edifício de estilo neoclássico e eclético — baseado em modelos italianos e projetos de Gino Coppedè e Giuseppe Predasso — estendeu-se até a década de 1950, em parte devido a dificuldades na importação de materiais europeus. Em 1923, o Papa Pio XI conferiu à igreja o título de basílica menor, tornando-a a terceira basílica dessa categoria no Brasil. Em 1992, o santuário mariano foi tombado como patrimônio histórico do estado do Pará. 

A igreja, com cinco naves, mede 62 metros de comprimento, 24 metros de largura e 20 metros de altura. A abside, que abriga o altar-mor, conecta-se diretamente ao transepto. As duas torres da igreja atingem 42 metros de altura e contêm um conjunto de nove sinos; o maior pesa 2,8 toneladas. O interior da basílica é definido por 32 colunas de granito maciço e 54 vitrais. A igreja é adornada com 38 medalhões de mosaico — cada um com 1,5 metro de diâmetro — e 19 estátuas de mármore de Carrara. A abóbada da abside apresenta um grande afresco. O órgão, com mais de 1.000 tubos, é tocado por meio de três manuais. 

A basílica é o ponto central da maior festa religiosa do Brasil, o Círio de Nazaré — celebrado desde 1790 —, que atrai mais de dois milhões de participantes a Belém. Durante o Círio de Nazaré, no segundo domingo de outubro, a chamada imagem peregrina — uma réplica da imagem encontrada por Plácido — sai da Catedral de Belém e segue em procissão até a grande praça em frente à basílica. A festa foi inscrita na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2013. 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Catedral

A Catedral de Belém (Catedral Metropolitana de Belém ou Catedral da Sé) — na minha opinião, a igreja mais bonita da cidade — é uma igreja histórica localizada no bairro da Cidade Velha. Sua construção teve início em 1748; situada bem na praça histórica, ao lado do Forte do Presépio, ela é famosa por sua fachada barroca branca e por um grande órgão europeu. 

 

Assim como em todas as grandes cidades brasileiras, a desigualdade social em Belém é enorme. No final do século XIX e início do século XX, o ciclo da borracha deu origem a uma elite pequena e extremamente rica em Belém, que detinha uma riqueza difícil de imaginar na Europa. Essa elite espelhava-se na aristocracia europeia, vestia "haute couture" parisiense, importava iguarias e outros símbolos de status (como automóveis) e isolava-se rigorosamente das populações indígenas e afro-brasileiras, bem como das camadas mais pobres da sociedade (incluindo a classe média). 

Essa elite local frequentemente enfrenta críticas — e com razão — por seu isolamento (o hábito de conviver apenas entre si, especialmente no que diz respeito a casamentos, etc.) e pela falta de solidariedade. Infelizmente, presenciei pessoalmente membros dessa camada social literalmente pisoteiam pessoas simples e mais pobres, agredindo-as verbalmente e tratando-as com arrogância — uma atitude anacrônica no século XXI! 

E há também aqueles da classe média que acreditam dever emular essa classe alta tratando as pessoas pobres com ainda mais arrogância e desprezo, a fim de demonstrar — a si mesmos e aos outros — que pertencem aos estratos superiores da sociedade. 

A discriminação também é dirigida aos recém-chegados — em sua maioria pessoas pobres do estado vizinho do Maranhão (São Luís) — que vêm para o Pará vindos das regiões áridas do Nordeste. 

Para encerrar, mais uma coisa em Belém que é desagradável para mim: 

Está chovendo muito mesmo! É lógico que — como o nome sugere — chove intensamente na floresta tropical ou nas suas proximidades. Isso é bom, tanto para a natureza quanto para o clima. Mas, para mim, pessoalmente: simplesmente chove demais! 

 

 

 

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